Minimalismo- jogar fora para (re)começar

Parte 2 da série: O que movimentos estéticos da internet nos dizem sobre os recomeços da nossa sociedade?

Parte 1 clicando aqui.

Por Maria Eduarda Ribeiro Cavalcanti

Cena do filme "Happy Old Year" que fala sobre o estilo de vida minimalista

É difícil manter a vida em uma propriedade rural, ou você estritamente vive daquela vida, ou você é rico o suficiente para ter um emprego na cidade e ter uma casa em algum lugar rural ou você tem um emprego flexível e que te permite morar no campo.

O estilo de vida minimalista tem sua origem a milênios, todas as religiões de alguma forma insinuam a ideia de renunciar de algum tipo de bem material ou emoção em ordem de cultuar o determinado Deus. Chegando até a oferecer toda sua vida em ordem daquela religião, como os monges budistas ou os padres católicos.

Porém só nos anos 50 e 60 na metrópole de Nova York o termo “minimalista” ganhou a conotação que estamos familiarizados, que envolve a remoção de pequenos detalhes que normalmente veríamos em obras de arte como quadros e esculturas, e o destaque em uma coisa só. Logo, o minimalismo conquistou a arquitetura e com as redes sociais podemos ver uma obsessão pelo estilo de vida minimalista, que vai muito além daquela foto no Instagram em uma mesa branca com só uma xícara, também branca, de café com a legenda “#minimalist”.

O minimalismo prioriza viver uma vida onde você se sinta completo, seguindo o mantra “ menos é mais”. Ser minimalista é ser desapegado. Cada objeto que compramos tem algum sentido para nós, porém com o consumismo selvagem imposto sobre nós na sociedade capitalista, se cada objeto tem algum sentido, podemos dizer que a nossa tem até demais. A realidade é que o sentido passou a ser o dinheiro, o objeto representa nosso poder de aquisição.

A nossa cultura de constante trabalho e a nossa ambição é tão grande que criou um ambiente hipercompetitivo e sufocante. O minimalismo é o escapismo de tudo isso. O minimalismo nos faz quebrar o ciclo viciante que é o prazer de comprar, de possuir, um objeto, que em semanas perde o sentido para nós.

Assim como o movimento cottage core, o minimalismo envolve a valorização do espírito, o começo da nossa vida através do autoconhecimento. Ambos os movimentos requerem uma dose de valorização as pessoas e aos sentimentos e de desapego a sociedade, mais exatamente a sociedade capitalista.

Mas ao contrário do cottage core, que é baseado na vida em campo e na apreciação da natureza e de passatempos mais naturais como fazer pão ou criar pulseiras, o minimalismo é mais realista. É a inserção desse espaço quieto e mais vazio, focado nos objetos que realmente possuem importância e utilidade na nossa vida, é o uso de cores neutras que acalmem. Tudo isso em um cenário urbano. Você consegue facilmente ser minimalista em um quitinete em São Paulo pagando um aluguel muito mais caro do que o apartamento realmente vale.

Para os minimalistas, o ambiente afeta e reflete o nosso estado mental, e se tudo está organizado e limpo, a mente também está.

No fim, não importa se você prefere os doces cenários do campo oferecido pelo cottage core, ou a vida urbana quieta dada pelo minimalismo, ou nenhum dos dois, talvez algum movimento completamente diferente. Contato que você se sinta bem onde e como está.

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